
Ser artista é conviver simultaneamente com o inferno e com o paraíso. Mais do que uma frase de efeito, essa sentença permite conhecer melhor o processo criativo de Jabim Nunes. Sua série mais recente, intitulada “Morro do Rio de Janeiro”, constitui uma jornada justamente entre duas facetas da existência: a beleza e a miséria.
Por um lado, plasticamente, existe a maravilha da concepção visual de 16 obras que constituem um conjunto de casinhas pintadas com tinta PVA sobre compensado. Cada uma delas isoladamente e o todo têm em comum um resultado expressivo, que provém das pesquisas anteriores do artista com tonalidades e geometrias.
Por outro, o assunto desenvolvido está dentro do estudo da pesquisa do drama social dos refugiados e das condições precárias de moradia para boa parte da população do Rio de Janeiro que habita os morros, onde as residências vão se acumulando nas articulações mais incríveis.
Não se trata de dar glamour à miséria social, mas de oferecer ao observador um ponto de partida para uma dupla reflexão, que passa pela beleza estética e pela crítica urbana. Lidar com essas duas variáveis simultaneamente não é tarefa fácil e somente ocorre quando se atinge um progressivo e refinado processo artístico de criação.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.