
O anatomista e cirurgião francês Alfred Armand Velpeau (1795 - 1867) estudou em Tours e posteriormente em París, onde desenvolveu a sua vida profissional, exercendo a cirurgia e como professor de Anatomia. Escreveu livros sobre cirurgia, anatomia, embriologia e obstetrícia, ganhando renome nacional e internacionalmente.Velpeau foi retratado pelo pintor Augustin Feyen-Perrin (1826-1888) no quadro “A lição de anatomia do Dr. Velpeau en la Charité”, de 1864. O médico é mostrado ministrando uma aula de dissecção anatômica rodeado de discípulos. A obra retoma assim a lição de anatomia como um dos grandes temas da pintura universal.Em 1827, Velpeau forneceu a primeira descrição clínica exata de uma leucemia. Ele também foi autor de uma Lei que leva seu nome que diz que um fato raro ocorre duas ou mais vezes em um curto espaço de tempo, geralmente dias ou semanas, fenômeno que percebeu pela prática clínica.O nome Velpeau também é associado a um tipo de bandagem que ele utilizava para imobilizar o braço sobre o peito, e ainda pela Hérnia, pelo Canal e pela Fossa que levam o seu nome, além da Doença de Velpeau, rara manifestação crônica da pele com nódulos geralmente nas axilas ou virilha.Mais um dado importante e curioso é que Velpeau, célebre pelos seus diagnósticos rápidos e seguros, considerado cirurgião de mão hábil e firme, e elogiado como um dos melhores de seu tempo, acreditava ser impossível que o paciente não sentisse dor em uma cirurgia. A introdução da anestesia com éter o clorofórmio, em 1840, foi para ele surpreendente.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.