
Os artistas plásticos Billy Gibbons e Luis Rosa, radicados em São Bento do Sapucaí (SP), criaram o heterônimo Snobbigasor. Esse exercício a quatro mãos é uma manifestação criativa que leva a refletir sobre o sentido da arte como um todo. Afinal, criar é interpretar o mundo e trata-se de uma tarefa riquíssima e ilimitada emocional e plasticamente.
Um heterônimo, como bem mostra o poeta Fernando Pessoa, não é apenas um pseudônimo, ou seja, um nome falso com o qual se assina trabalhos. Estamos falando de uma personalidade própria, com suas características e peculiaridades. Possui uma história de vida, no presente caso, um artista marroquino com toda uma trajetória, que pode ser lida em https://artluv.net/artista/snobbigasor-heteronimo-de-billy-gibbons-e-luis-rosa/
A mágica de Snobbigasor é que, ao ser criado por dois artistas, obriga ambos a abrirem um pouco mão de si mesmos para construir um terceiro. Ou seja, de dois pintores consolidados, surge um novo. E não estamos falando de uma somatória nem de uma unificação, mas de um novo ser que se manifesta com as expressões dos outros para estabelecer uma terceira via.
O heterônimo marroquino que recebe nome e biografia traz expressividade e dinamismo em suas representações visuais. Para ser apreciados, demanda que cada observador também abra seus olhos, mente e coração, podendo absorver assim um criador que estabelece seu próprio espaço. Ganha assim vida e nos introduz num mundo de mistério e fascínio. Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e pós-doutorando e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.