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A arte de Ditinho Joana

A arte de Ditinho Joana
03/08/2019

 

A arte de Ditinho Joana

A escultura é uma forma tridimensional de representar e interpretar o mundo repleta de lirismo. Uma expressão pungente disso é a obra de Ditinho Joana (12/3/1945). Nascido e residente em São Bento do Sapucaí (MG), no Bairro do Quilombo, ele traz, em seus trabalhos, expressões de um modo de ser brasileiro.

A sua marca registrada é a escultura de uma botinha gasta. Tonou-se uma metáfora da própria vida, de um caminhar em que há alegrias e decepções. A botina funciona como um símbolo da existência no sentido de que a estrada que vai do nascimento à morte, de uma forma ou de outra, gera um desgaste. E cada um convive com ele à sua maneira.

A arte de Ditinho Joana lida com o cotidiano de um Brasil das modas de viola, do trabalho na roça, das atividades pacientes e constantes do sapateiro, da religiosidade e da valorização daquilo que parece simples. Mas é exatamente nessa rotina que está a grandiosidade de perceber o valor de cada instante como um espaço em que cada detalhe é mágico.

Ditinho Joana também aponta para a força da natureza, pois ele trabalha com madeiras nobres, que dão ao seu trabalho resistência ao tempo, e as transforma em documentos permanentes de um Brasil poético e autêntico, cuja grandiosidade está na talentosa sobrevivência cotidiana.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e pós-doutorando e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.