
A arte é um curioso desvendar de significados. Parte, de uma forma ou de outra, do mundo conhecido e pode nos levar para um universo interrogativo, que nos obriga a repensar aquilo que julgamos dominar. Nesse aspecto, a exposição “Um minuto e meio com cabeça”, de Ricardo Muñoz, é um mergulho diferenciado no cotidiano.
Seja quando elabora a sua poética a partir de textos de jornalistas ou ao pedir que profissionais de comunicação escrevam sobre suas manifestações visuais, o processo criativo do artista consiste em oferecer a sua interpretação do mundo. Surge então um dilema: do que está se falando no curto tempo da matéria jornalística televisiva a que alude o título?
Cada trabalho é, nesse aspecto, uma crônica. Disserta visualmente sobre aspectos do que entendemos como realidade com diversas técnicas, mas com um mesmo mote: o do fluir do pensamento em progressiva busca da concisão. Assim, diversos materiais e técnicas se cristalizam na mesma convicção: a de que criar é pensar livremente.
O eixo desse processo está em entender o mundo como um campo minado. Para caminhar por ele sem explodir, é preciso cuidar da saúde mental – e a arte faz esse papel balsâmico. Não traz o conforto que adormece, mas um desconforto que libera a adrenalina do desafio e da busca por soluções visuais progressivamente talentosas e arrojadas.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e pós-doutorando e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.