
Artista napolitano que viveu no auge do Iluminismo. Gaspare Traversi, na obra “Il Ferito”, de 1752, cria um trabalho de grande dramaticidade com figuras em poses dinâmicas e fortes contrastes entre claro e escuro, num estilo próximo ao de Caravaggio. Tendo morado em Roma por bastante tempo, é bem provável que ali tenha aprimorado seu fazer artístico.Há, portanto, muito de naturalismo, no sentido do trabalho aprimorado com a figura humana, assim como dos corpos contorcidos que são teatralidade à cena. A luz sobre os rostos dos personagens auxilia justamente a entender a história de cada um dos retratados, numa atmosfera operística.O protagonista, no centro do quadro, com a camisa removida, mostra a ferida ao médico. O momento pintado é logo antes da ação, conseguindo indicar os estados de espírito totalmente distintos. O médico concentra-se para executar o seu papel, enquanto o ferido se contorce em dores.Figuras misteriosas completam o quadro de Traversi. Há um jovem que parece não se importar com o que está acontecendo um homem idoso que parece enxugar uma lágrima e uma mulher mais velha no canto superior direito, sendo estes dois, talvez, respectivamente, pai e mãe do protagonista, além de uma jovem que ampara o jovem em sua dor lancinante.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.