
A pintura ‘Hipócrates recusa presentes’, de Anne-Louis Girodet (1767 - 1824), de 1792, retrata uma lenda popular da Antiguidade na qual o famoso médico grego Hipócrates recusa presentes oferecidos por Artaxerxes, rei dos persas e inimigo dos gregos, mostrando como o ato de curar deve estar acima de qualquer ideologia ou idiossincrasia.Pintor francês, aluno do mestre Jacques-Louis David e um dos precursores do movimento romântico em seu país, tem um estilo preciso e claro, sendo inclusive o retratista preferido da família de Napoleão Bonaparte. Ele procura a o ideal de beleza segundo os cânones clássicos mesclado a um desejo de inovar.Figura histórica central na medicina grega, Hipócrates, no século V a. C, é considerado pioneiro em separar a prática da medicina da religião e da superstição. Os padrões morais que procurou estabelecer para a profissão são célebres e seu Juramento é utilizado até hoje, sendo visto como um home de grande integridade.No episódio retratado, o rei Artaxerxes pediu auxílio a Hipócrates para curar uma epidemia que afligia as tropas persas. O monarca ofereceu ouro, prata e outras honrarias, mas o célebre médico recusou, cumprindo a missão sem cobrar. Mesmo considerada falsa a partir do século XIX, a história traz um ensinamento de como o médico deve curar tanto amigos como inimigos.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.