
A obra ‘The Dying Valentine Gode-Darel’, do pintor suíço Ferdinand Hodler (1853 – 1918), integra uma das principais séries do trabalho de um artista caracterizado pela criação de retratos e paisagens, em um estilo realista, mas muito expressivo. Desenvolveu uma linguagem visual que chamou de "paralelismo". A simetria e o ritmo eram considerados fundamentais dentro de uma visão simbolista das possibilidades da arte de comentar a existência. Filho de um carpinteiro e de uma camponesa, Hodler, aos oito anos, já havia perdido o pai e dois irmãos mais novos, todos vítimas de tuberculose, mesma doença que matou a mãe do artista, em 1867.Em 1908, Hodler conheceu Valentine Godé-Darel, que se tornou sua amante. Diagnosticada com câncer em 1913, a moça foi acompanhada pelo artista, que realizou numerosos trabalhos retratando o declínio físico causado pela doença. A morte dela, em 1915, impactou profundamente o criador suíço.Hodler desenvolveu inclusive uma série de cerca de 20 autorretratos em 1916. São uma espécie de testamento visual de um artista que começou a lidar com imagens com o padrasto, aos nove anos, pintando placas comerciais, dedicando-se depois a realizar cópias de paisagens alpinas, que vendia em lojas para turistas. Que transformação! Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.