textos

diárias de bordo

Coluna quebrada

Coluna quebrada
30/06/2019

Filha do famoso fotógrafo Guillermo Kahlo e de Matilde Calderon, Frida Kahlo nasceu em 1907 e se tornou uma personalidade de destaque pela sua obra pictórica e pela suas posturas existenciais. Seus autorretratos, plenos de expressão e de dor são resultado de uma trajetória existencial ímpar.Estudava medicina na primeira turma feminina da Escola Preparatória Nacional quando em 1925, no retorno para casa, ela e seu então noivo sofreram um grave acidente. O ônibus em que ela estava se chocou com um bonde. E uma barra de ferro perfurou seu abdômen e seu útero. “Perdi minha virgindade, meu rim amoleceu, não podia mais urinar, porém, o que mais me incomodava era a coluna vertebral”, escreveu.O quadro ‘Coluna Quebrada’, de 1944, retrata uma vida marcada pelo corpo enfaixado e processos cirúrgicos e terapêuticos. Pintava o próprio gesso como hobbie e, ao sair do hospital, seus pais providenciaram uma cama com um espelho que a refletia, compram um cavalete e lhe dão de presente uma caixa de tinta. Afastada dos estudos, Frida iniciou suas pinturas de autorretratos de forma peculiar. Existe em sua vida e em sua obra plástica uma identificação existencial candente, caracterizada pela oscilação entre manifestações mais simbólicas e mais diretas, numa biografia visual em capítulos pungentes e desordenados, mas movidos pelo talento que a motivou a viver.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.