Carlo Cury: Teça, a magia do olhar
Um olhar é bem mais que um espelho da alma. Indicia um caminho para a reflexão, algo ainda mais forte quando se mergulha no universo dos povos indígenas. Está ali um retorno às lembranças do passado e a busca de um futuro numa sociedade presente marcada pela velocidade e por constantes transformações.
O artista plástico Carlo Cury, na exposição “Teça, o olho do homem, olhar”, no Espaço Okena, em Caraguatatuba, SP, tem como um de seus focos justamente esse recorte do olhar. Há imagens realizadas em tela, em técnica mista, que incluem grafismos indígenas vinculados a peixes e aves, e obras com a técnica do pastel seco.
Há nelas uma criação poética a partir de diversas matrizes, como as fotos do jornalista Daniel Patire realizadas em viagem a Jordão, no Acre, onde conviveu com os índios da tribo Kaxinawá. Acima de tudo, as imagens que têm o índio como assunto são uma declaração de sobrevivência em um universo em conflito.
Carlo Cury estabelece a sua própria dimensão sobre uma civilização. O jogo que propõe gera um processo reflexivo que atinge em cheio o observador. O conjunto da exposição é plasticamente belo e denso em uma linguagem que lança um olhar sobre o índio e o coloca como protagonista de sua própria história.