
O quadro ‘Árvore da esperança, mantém-te firme!’, pintada em 1946 por Frida Kahlo é uma obra que pode ser melhor apreendida quando lembramos que a pintora mexicana tem uma história pessoal marcada por diversas doenças, como ter contraído poliomielite aos seis anos, permanecendo um longo tempo de cama. Recuperou-se, mas sua perna direita ficou afetada, obrigando-a a conviver com um pé atrofiado e uma perna mais fina que a outra. Mais tarde, foi vítima de um acidente que a prendeu sob um colete de gesso por toda a vida, levando-a a realizar numerosos autorretratos e representações de cenas do hospital ou de procedimentos médicos.‘Árvore da esperança’ inclui um verso de uma canção que Frida tomou como lema: “Árvore da esperança, mantém-te firme!”. Há ali duas Fridas: uma, sobre uma maca, com dois cortes sangrentos de uma operação na coluna; a outra, saudável, segura um colete de coluna não mais necessário e uma bandeirola com os versos da canção-título.Frida passou por mais de 30 operações, sete delas na coluna, justamente na esperança de ter melhoras em sua saúde. O título remete ainda a árvore da vida dos astecas, que alude à união do físico com o espiritual. Tudo isso se alimenta da esperança da artista de poder, com as operações, superar seus males e dores.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.