22/06/2019
O célebre pintor francês Toulouse-Lautrec (1864 -1901) ficou célebre por pintar a vida boêmia de Paris do século XIX. Sua obra revolucionou o design gráfico dos cartazes publicitários e ajudou a definir o estilo que seria posteriormente conhecido como Art Nouveau.Sofria de uma doença genética rara, a Pycnodysostosis, mais tarde conhecida como Doença de Toulouse-Lautrec, que é uma doença autossômica recessiva caracterizada por ossos frágeis e baixa estatura, deixando seus portadores com corpo de adulto e pernas curtas de criança.Filhos de pais que eram primos de primeiro grau, Lautrec teve numerosos problemas, além de ter sífilis e ser alcoólatra. No quadro ‘Retrato do Dr. Henri Bourges’, de 1891, pintado em óleo sobre cartão sobre madeira, hoje no Carnegie Museum of Art, Pittsburgh. EUA, homenageia um de seus melhores amigos.Eles se conheciam desde a infância, e a família de Lautrec confiava no futuro médico. Quando ele foi estudar Medicina em Paris, morou com o boêmio artista durante sete anos, entre 1887 e 1893. A obra integra justamente uma série que o pintor fez de pessoas de quem gostava.Lautrec sofreu muito quando Bourges casou e abandou o espaço que dividiam, passando a beber ainda mais. O médico, por sua vez, foi autor e tradutor para o francês de livros de medicina, inclusive sobre difteria e sífilis, defendendo que uma forma de tratamento desta última era dormir mais. Por isso se preocupava com o amigo pintor, inclusive tendo convencido a mãe dele, em 1889, a internar o filho para se tratar da dependência de álcool. A obra mostra o médico colocando as luvas, provavelmente para sair, quem sabe, com Lautrec pelas noites boêmias de Paris. Quem sabe? Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.