
Não são muitos os quadros que mostram um médico tão envolvido com o paciente como "O Doutor", de Samuel Luke Fildes (1844-1927). Pintado em 1891, a obra é inspirada no drama que o artista viveu com o falecimento do seu filho na noite de Natal de 1877.
O quadro é uma homenagem do pintor ao médico que atendeu o menino até a hora da morte. Para atingir o resultado esperado, o artista reproduziu no seu ateliê a sala de sua casa, local em que o menino faleceu. Além do médico compenetrado e do paciente, a obra mostra os pais da criança, com a mãe desesperada e o pai, consternado, dando-lhe conforto.
Realizado em óleo sobre tela, a obra foi encomendada pela Rainha Vitória a Sir Henry Tate que, por sua vez, pediu o trabalho a Fildes. Hoje ele está na Tate Gallery, sendo uma das principais obras de um pintor que ganhou destaque com suas cenas de Veneza e retratos, como da coroação do rei Eduardo VII.
Um episódio curioso envolve o artista e Cecil Rhodes, que encomendou um retrato. Insatisfeito com o resultado, o explorador enviou um bilhete ao artista com o cheque e a informação que queimaria a obra. Fildes simplesmente devolveu o cheque e guardou o quadro. Curiosidades à parte, poucas de suas obras se comparam à delicadeza atingida em “O Doutor”.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.