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A sutileza da arte

A sutileza da arte
18/06/2019

A arte pode ser vista como uma resposta ao mundo. Haveria então duas vertentes majoritárias, uma, utópica, que idealiza a chamada realidade, de modo a representá-la melhor do que parece ser; e outra, distópica, que a apresenta numa perspectiva pessimista, pior do que a vemos num primeiro momento.

A médica Leila Lagonegro, que tem em seu currículo palavras de estímulo do pintor Antonio Peticov, do curador Walter Bravo e do antropólogo Antonio Carlos Fortis, traz, em suas interpretações do mundo a esperança de construção de uma atmosfera melhor, graças à ambientação que realiza com suas tonalidades.

A construção do espaço revela a preferência por composições em que as cores ganham relevância. Esse pensamento visual gera uma ordenação da visualidade. A percepção para quem contempla seus trabalhos é justamente de um certo equilíbrio e sossego na correria do cotidiano.

A obra de Leila Lagonegro gera uma sutil respiração no ambiente dinâmico que nos rodeia. É, de certa forma, como se o tempo parasse para contemplar o belo, por mais discutível que esse conceito se apresente. Torna-se possível assim vislumbrar na obra da artista paulistana uma peculiar luz na maneira como nos devolve o mundo, com delicadeza e lirismo.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e pós-doutorando e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.