16/06/2019
Autor de pinturas históricas e retratos, o pintor francês Jules-Élie Delaunay (1828 – 1891) teve bastante influência entre os artistas de sua época, tendo grande contato com criadores como Gustave Moreau e Edgar Degas. O quadro ‘A peste em Roma’, atualmente no Museu de Orsay, mostra seu talento. Realizada em 1869, tem como tema a chamada ‘peste antonina’ ou ‘peste dos Antoninos’.Trata-se de uma epidemia que se iniciou por volta de 165, logo atingindo Roma. Perdurou até 180, afetando principalmente o império. O nome deriva da família que governava a região, e a doença, que causava febre erupções cutâneas e diarreia, pode ter matado os imperadores Lúcio Vero e Marco Aurélio, em 169 e 180, respectivamente. Estima-se que o mal matava 2 mil pessoas por dia em Roma, com uma taxa de mortalidade de 25% entre os doentes, num total de mortos de 5 milhões. Nesse contexto, a obra mostra a estátua equestre do imperador Marco Aurélio, assim como, à direita, na parte inferior, uma escultura de Asclépio, o deus grego da Medicina.O quadro mostra um anjo que dizia a outro quantas batidas devia dar em cada porta, determinando assim o número de pessoas que morriam naquela casa. A obra gerou uma repercussão positiva e chama a atenção por alguns detalhem como, na parte superior esquerda, uma procissão de padres surge atrás de uma cruz. A fé, assim, se faz presente.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.