
As relações entre as doenças e o mito são muito comuns. O pintor francês Charles François Jalabert (1819-1901) obteve fama na segunda metade do século XIX com trabalhos de estilo acadêmico como ‘A Praga de Tebas’, que alude diretamente à obra ‘Édipo Rei’, imortal do dramaturgo grego Ésquilo, escrita no século V a.C.No mito e na peça, Tebas, a mítica cidade das 7 portas, é devastada por uma peste. Consultado o oráculo, a causa é atribuída ao assassinato do rei Laio. Somente com a identificação de quem o matou a cidade estará salva do mal. A questão é que foi Édipo, governador local quem cometeu o assassinato, sem saber que ele era o seu pai.Pintada em 1849, a obra, hoje no Museu de Belas Artes de Marselha, mostra Édipo, que cegou os próprios olhos ao saber do parricídio e do fato de ter casado com a própria mãe, com quem teve quatro filhos, abandonando a cidade conduzido pela filha Antígona. É olhado com desprezo pelos cidadãos, que desejam se afastar dele.A peça e a pintura têm como pano de fundo a concepção grega de que as pragas atingiam as cidades como castigos divinos por crimes ou atos indignos. De certa maneira, o cristianismo deu continuidade à ideia, com santos protetores de locais atingidos por doenças exterminadoras.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.