
Conhecido como "o Turbulento" e chamado de "Shakespeare do pincel", o espanhol Francisco José de Goya y Lucientes (1746 - 1828) foi um pintor e gravador que deixou um ampla produção, que inclui retratos, paisagens e cenas mitológicas, mas seu maior destaque está na maneira de tratar a miséria humana, em cenas de guerra e demônios.A enfermidade também se faz muito presente. Em 1792, em viagem a Andaluzia, ficou muito doente, ficando temporariamente paralítico, parcialmente cego e totalmente surdo. Essa experiência transformou sua obra, que passou a ter cores mais escuras e os traços se tornaram mais livres e expressivo. Nesse momento, entre 1808 e 1810, produziu a pintura “Hospital de Apestados”, hoje na Coleção do Marquês de La Romana. As figuras coloridas de nobres em jogos da corte deram lugar à visão de pessoas doentes, sem esperança, vagando por corredores sem se vislumbrar a possibilidade de cura.Entre 1810 e 1814, realizou a série "Los Desastres de la Guerra" e suas duas obras primas "El Segundo de Mayo 1808" e "Los fusilamientos del tres de mayo", igualmente marcadas pela dor e sofrimento de pessoas simples, sem heróis, mas com cenas de sofrimento e morte, sem glória ou esperança para a humanidade.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.