Caápeguara Moradores da floresta
A recuperação da história e da memória de cada povo Caápeguara (“morador da floresta”) é uma dívida cultural que a atual civilização branca e ocidental tem com as nações indígenas. Não se trata apenas de realizar um levantamento antropológico, mas de cristalizar ações culturais concretas que mantenham viva a memória e a cultura dessas nações.
A exposição dos artistas plásticos Ana Mazakina e Max Bueno se insere justamente nesse esforço de trabalhar plasticamente o legado de civilizações quase exterminadas. O desafio está em dar a cada imagem valor artístico e uma dimensão humana.
Em suas telas, Ana desenvolve, com tinta a óleo, um sucessivo processo de desconstrução da figura do indígena. Ele surge retratado em diversas atividades, mas os objetos e o seu entorno progressivamente são diluídos num exercício constante de criação de atmosferas, em que mais importante que o objeto retratado é a maneira como a técnica se condensa no processo de construção de cada obra.
Max Bueno oferece, em seus trabalhos com pastel seco, oleoso e giz pastel, a oportunidade de visualizar variações de material colocados dentro de um raciocínio plástico marcado por uma linguagem artística em que o uso da cor e o desenho de finas linhas se destacam, assim como a busca pela valorização dos espaços vazios do papel.
Ideal para criar imagens plenas de intuição e com largos movimentos, o pastel, como faz Max, é muito utilizado para fazer retratos de pessoas, no presente caso, índios das mais variadas tribos e regiões, caracterizados por efeitos esfumados e aveludados que a técnica, em boas mãos, proporciona, ainda mais quando se trabalha sobre papéis coloridos, que dialogam com o pigmento.
Os dois artistas interagem de modo a propiciar uma visão dos povos indígenas moradores da floresta marcada pelo talento artístico. O assunto é ponto de partida para uma reflexão sobre a própria maneira de sobrevivência deles na atual sociedade globalizada. Captar suas faces, expressões e hábitos, com sensibilidade e perícia, é a prova de que a arte, desde que levada adiante com seriedade e competência, tem o poder de cristalizar memórias e gerar reflexões sobre o passado, o presente e o futuro.