
A escultura é uma arte muito peculiar. Um de seus princípios está na exploração do espaço, de modo que ela possa ser vista sob vários pontos de vista, numa perspectiva tridimensional. Desse modo, o público pode perceber numerosos detalhes e interagir por questões envolvendo a percepção de cada um e as luzes e sombras geradas pela peça.
As recentes obras de Osmar Carboni surgem de sua pintura e propiciam um mergulho num universo visual que remete a cartografias ou fotos tiradas de drones de grandes alturas, numa espécie de pesquisa de civilizações remotas ou de mapas imaginários em que a fantasia corre solta a desafiar cada um de nós.
Mas, além dessa referência simbólica e arqueológica, está o trabalho do artista com as próprias formas geométricas, sem referências externas. Surgem assim labirintos de linhas retas e de relevos com regiões mais altas e baixas que aparecem entalhadas na madeira ou em seu negativo realizado em concreto e com pó de mármore.
O mérito maior de Carboni está no mistério que propõe a cada nova obra. Assim como ocorria na pintura, a sua escultura torna o observador participante, uma espécie de caminhante nessas ruínas criadas a partir de uma lúdica e crítica postura com as formas para atingir os resultados desejados, num intenso processo de criação.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.