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Peste em Sevilha

Peste em Sevilha
19/05/2019

Poucos quadros de autor desconhecido são tão famosos quanto uma obra sobre a epidemia de peste que mostra uma multidão em frente ao Hospital de la Sangre, hoje localizada no Hospital del Pozo Santo, Sevilla. O edifício retratado é o antigo hospital das Cinco Chagas de Nosso Redentor, que se encontra no bairro da Macarena, em Sevilha.O prédio é atualmente a sede do Parlamento deAndaluzia e foi protagonista de uma peste, em 1649, que foi a maior da história da cidade, com a morte de aproximadamente 60 mil pessoas, o que representou pouco mais de 45% da população da cidade. Provinda da África, a peste bubônica entrou por portos da Andaluzia, atingindo Valencia, Aragão e Múrcia.O ambiente em Sevilha era propício a uma tragédia urbana de saúde pública, pois chovera muito na primavera, alagando bairros inteiros e dificultando o abastecimento de alimentos, o que levou a uma elevação dos preços e a muitas pessoas passando fome e fisicamente debilitadas. Prova disso é que os bairros mais pobres, como o de Triana, sofreram mais com a doença.Como mostra o célebre quadro, multidões esperavam leitos no Hospital de la Sangre. Estima-se que o local recebeu 26700 pacientes, dos quais 22900 faleceram. Entre as pessoas famosas que perderam a vida está, por exemplo, o escultor Juan Martínez Montañés, um entre os muitos de uma tragédia da qual Sevilha demorou muito para se reerguer.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.