textos

diárias de bordo

Morte no quarto da doente

Morte no quarto da doente
12/05/2019

Nascido em Loten, na Noruega, em 1863, e falecido em 1944, o pintor Edvard Munch teve uma vida marcada por episódios envolvendo a medicina, a começar pelos pais. A mãe morreu quando ele tinha 5 anos; e o pai sofria de uma doença mental que impactou a sua existência e a dos irmãos.

Essa infância acaba por ser retratada, de maneira, mais ou menos simbólica, de acordo com o quadro. Em ‘Morte no Quarto da Doente’, de 1895, o foco é a dor psicológica de um ambiente onde está uma doente grave. A atmosfera é retratada de modo a mostrar todas as implicações psicológicas e físicas do momento.

Há elementos claramente biográficos, como o retrato de duas irmãs de Munch, Inger, que aparece de pé, e Laura Munch, sentada; no primeiro plano. O artista se autorretrata virado de costas para a paciente, o que costuma ser interpretado como uma forma de não suportar ver o que está acontecendo.

O pai, Christian, e a tia Karen estão de pé junto à cadeira próxima à cama. A personagem masculina de costas pode ser Andreas, o irmão de Munch. Talvez a cena seja uma lembrança da morte da irmã, Sophie, em 1877, aos 15 anos, quando o artista tinha um ano a menos. A causa foi tuberculose pulmonar, mesma doença que matara a mãe. Quanta dor em imagens!

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.