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Festa na Aldeia

Festa na Aldeia
17/11/2019

As plumas têm muitos sentidos simbólicos, principalmente entre os indígenas. São comumente associadas aos pássaros e ao ato de voar, o que leva a analogias com a busca da liberdade, o poder espiritual e a integração com a natureza. Elas estão presentes em cocares e em diversos adornos e, durante cerimônias, ganham o espaço com vida própria.

O movimento dos corpos humanos que as vestem dá a elas ação e, nesse momento, reconquistam por alguns momentos sua dimensão original de flutuar. Ao cair no chão, se recolocam como força potencial. Funcionam, assim, como metáfora da existência, cristalizada na belíssima abertura do filme ‘Forrest Gump’, dirigido por Robert Zemeckis.

Na série "Festa na Aldeia", ao colocar plumas, individual ou isoladamente, voando pelo céu, a artista plástica Regina Hornung nos traz a sua visão das possibilidades do vivee e do sonhar. É por meio de cores delicadas e da atmosfera de leveza que se constrói uma percepção lírica do existir como um flutuar em que o futuro se realiza em parte ao sabor dos ventos.

A habilidade de conduzir o voar existencial em uma espécie de aceitação dos saberes de cada jornada surge em um discurso plástico poético, em que a sugestão predomina. Existe, na seleção das tonalidades e nas composições, em que o sentir ganha predominância, uma maturidade artística sutil, permeada pelo sentimento de estar em harmonia com o mundo.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.