


Nascido em Tarragona, na Catalunha, Michel Serre (1658 – 1733), mudou-se para Marselha em 1675, onde teve contato com a pintura religiosa do período barroco e começou a receber encomendas, principalmente de embarcações e de oficiais ligados a atividades portuárias da cidade. Após um breve período em Paris, retornou para a cidade que o imortalizou.
Entre suas obras, três delas são essenciais na sua carreira, por tratarem da peste que se abateu sobre Marselha em 1720. Elas mostram um caos em que é difícil diferenciar entre os mortos e os vivos que procuram organizar a situação. As autoridades, a cavalo, surgem entre a multidão ordenando o que deve ser feitoCabe lembrar que Serre vivenciou os fatos, ajudando a sepultar corpos e doando parte de seu dinheiro para auxiliar os doentes.
As duas obras maiores foram encomendadas pelos jesuítas e depois compradas pela prefeitura local. Num episódio curioso, o filho de Serre as levou para Paris e as exibiu cobrando ingresso, o que era ilegal. Depois voltaram para onde estão até hoje.
Há ainda mais uma pintura do artista sobre o tema. Chamada ‘Cena da praga de 1720 na Tourette’, destaca o heroísmo do Cavaleiro Roze (1675 – 1733). Ele comandou um grupo de 150 pessoas para limpar o porto. Essa figura histórica é tão importante, que até é citado por Victor Hugo em ‘Os miseráveis’. O quadro está no Musée Atger, em Montpellier.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.