
Nascido em 1979, em Burkina-Faso, o artista africano Lépold Segueda, conhecido como Segson, apresenta em suas obras cores marcantes, intensas, dentro de um discurso visual caracterizado por duas premissas: a cultura autóctone e a alegria de viver. Esses dois aspectos se cruzam ao longo de seu trabalho.
O elemento mais forte é o cromatismo. Mesmo quando se trata da criação de cenas noturnas, há uma predominância de jogos visuais em que as cores são essenciais para conduzir o olho do observador pelas imagens, geralmente caracterizadas pela presença de muitos elementos, que se distribuem harmonicamente.
O cotidiano é um dos assuntos preferidos do artista, principalmente quando mostra cenas de seu país, como ambientes urbanos, com a abundância de pessoas, carros, ônibus e motocicletas. Há, ainda, quando se trata de retratar atmosferas noturnas, visões plenas de mistério e simbolismo, com a presença de uma delicadeza permanente.
Segson expressa a jovialidade do viver pelas suas criações, o que pode ser visto, por exemplo, no uso de amarelos intensos, assim como na presença de camisas de times de futebol, estabelecendo ambientes em que o aparente caos de elementos, indo em diversas direções, resulta no estabelecimento de uma harmonia própria, sutil, inesquecível.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.