
Arte é uma atividade existencial e lúdica. Existencial, porque não dá para brincar de ser artista. Trata-se de uma atividade visceral que vai ocupando espaço ao longo da existência. E lúdica, porque remete ao universo da criança no sentido de sempre enxergar o mundo como se fosse a primeira vez, mantendo o prazer mágico da jornada vivencial.
As obras de Andre Franco são um amálgama dessas tendências. Por um lado, ao lidar com madeira de demolição, demostra o olhar atento para s caçambas da cidade do Rio de Janeiro, buscando nelas o que há de melhor para os objetivos que deseja alcançar. Por outro, representa um estado permanente de pesquisa visual.
As indagações propostas pelo artista estão na esfera do suporte, ou seja, do material rechaçado pela sociedade, colocado no lixo; e também do universo técnico, no que diz respeito à procura de soluções que envolvem a geometria, o espaço e um trabalho minimalista de usar as áreas com um mínimo de elementos.
Dessas relações e conexões surgem diversas reflexões e reflexos. Está implícito um pensamento sobre o pensar o sentido da própria arte, como atividade intrínseca para a sobrevivência da liberdade humana. E ainda não deixa de lado um pensamento maduro e eloquente sobre técnicas e materiais. Nesse cruzamento, a arte de André Franco se concretiza.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.