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Frida Khalo imortaliza seu cirurgião

Frida Khalo imortaliza seu cirurgião
06/04/2019

Poucos artistas têm uma ficha médica tão extensa como a pintora mexicana Frida Kahlo (1907 – 1954). Aos seis anos, contraiu poliomielite, que a deixou com uma lesão no seu pé direito, que motivou as crianças a chamá-la de ‘perna de pau’ e a levaram a usar calças e, mais tarde, longas e exóticas saias, uma de suas marcas pessoais.Aos 18 anos, sofre um grave acidente quando o bonde em que viajava chocou-se com um trem. O para-choque de um dos veículos lhe perfurou as costas, causando uma fratura pélvica e hemorragia. Ficou meses entre a vida e a morte e passou por numerosas cirurgias para reconstruir partes do corpo.A consequência foi usar coletes ortopédicos de diversos materiais, chegando inclusive a pintar alguns deles. Durante a convalescença, começou a pintar, usando a caixa de tintas de seu pai, artista amador, e um cavalete adaptado à cama. Aos 21 anos, ao ingressar no Partido Comunista, conheceu o muralista Diego Rivera.Casa-se como ele e tem uma conturbada relação afetiva e emocional. Desenvolve um estilo bastante pessoal em que afirma a identidade nacional mexicana, com numerosas referências ao folclore e à arte popular local. ‘Autorretrato com o retrato do Doctor Farill’, de 1951, é o último autorretrato assinado pela artista.Quem aparece no quadro é o cirurgião da artista, o Dr. Juan Farill. Ele realizou sete cirurgias na coluna de Frida em 1951 que a levaram a ficar no hospital na Cidade do México por 9 meses. Ao se recuperar, em novembro, retomou a arte e dedicou ao seu médico uma pintura.Sobre o trabalho, escreveu "Eu estava doente por um ano ... sete operações na minha espinha. Farill me salvou". Frida está sentada em uma cadeira de rodas e segura uma paleta, que alude ao seu próprio coração, e pinceis. Pinta simbolicamente com o próprio sangue as suas telas e a sua trajetória existencial.A artista pintou muitas obras autobiográficas. Neste quadro, o assunto remete ao que Francisco Goya fez, em 1820, ao seu médico, Dr. Arrieta, imortalizado com uma inscrição de agradecimento. Assim, o mestre espanhol e a inesquecível artista mexicana prestam seus reconhecimentos aos que os ajudaram em momentos difíceis da vida.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.