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Riqueza de detalhes

Riqueza de detalhes
23/03/2019

Imagens de aulas de anatomia, encomendadas por associações de cirurgiões, como símbolos de status, eram bastante comuns no século XVII e tinham elementos em comum, como a solene roupa preta. ‘A aula de Anatomia do Dr. W. van der Meer’ em Delft, de 1617, é uma referência pela sua qualidade técnica.

A autoria é atribuída a Michel e a Pieter van Mierevelt, respectivamente pai e filho. Chama a atenção a riqueza de detalhes, que inclui, além do cadáver e dos médicos, uma vela, incenso queimando e ramos de ervas para combater o cheiro do cadáver. Acredita-se ainda que a única pessoa que olha para o médico seja uma imagem de Pieter.

A obra foi encomendada pela guilda de cirurgiões locais a Michel, principal pintor da cidade, que teria feito o desenho cuja pintura Pieter, que morreu seis anos depois de trabalhar na pintura, aos 27 anos de idade, teria realizado, sendo que não se conhecem outras pinturas dele.

Cabe observar como a arte do período valorizava as informações visuais como elementos que tanto conferiam autenticidade a cena como constituíam manifestações de poder, no caso de grupos de comerciantes ou médicos, por exemplo. Assim a arte se apresentava como maneira de interpretar o mundo pelo olhar da burguesia abastada.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.