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Pintura da inocência

Pintura da inocência
05/03/2019

A imagem intitulada ‘O médico e a boneca’ (1929), de Norman Rockwell (1894 – 1978), do Norman Rockwell Museum, Stockbridge, EUA, é um ícone entre os médicos por mostrar toda a ternura de um profissional da área, examinando uma boneca certamente no espírito de interagir melhor com a jovem paciente.A obra, publicada em 9/3/1929 é uma das 323 capas que o pintor e ilustrador estadunidense produziu para a revista The Saturday Evening Post durante mais de 40 anos. Ao longo de sua carreira, pintou desde flagrantes da vida dos EUA até retratos dos presidentes Eisenhower, John Kennedy, Lyndon Johnson e Richard Nixon.Vale a pena reparar na precisão de detalhes de ‘O médico e a boneca’, que incluem, por exemplo, a maleta no chão, o diploma ao fundo e a reprodução da célebre tela de Rembrandt, ‘Aula de Anatomia do Dr. Tulp’ sobre a escrivaninha. A medicina é vista, nesse contexto, pela atitude do profissional, de maneira diferenciada e carinhosa.Rockwell retornaria ao tema em 1942, com as mesmas características visuais, como o traço preciso, o amor à minúcia e a busca pela melhor expressão facial. A utilização das cores se soma a esses atributos no sentido de lançar um meigo olhar sobre a medicina, significativo em um artista que tratou desde artistas de cinema à corrida espacial.Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.