
Autor de cenas históricas, mitológicas e religiosas, naturezas mortas e paisagens, o pintor neerlandês Jan Steen (c. 1626 – 1679) possui também alguns trabalhos em que mostra o cotidiano de situações e de ambientes de sua época. É o caso de ‘A mulher enferma’, exposto no Rijksmuseum, Amsterdam, Holanda.
Como era habitual em alguns pintores de sua época, Steen usava a si mesmo e a integrantes de sua família como modelos de seus trabalhos. ‘A mulher enferma’ (1663) reúne algumas características constantes do artista, como a importante utilização da cor no sentido de criar ambientes.Pode-se observar isso na mulher.
A cadeira em que está sentada tem assento e recosto vermelhos, que criam um interessante diálogo com a blusa cinza-metálico e a saia amarelo-dourada. A touca branca recostada no travesseiro auxilia no estabelecimento da atmosfera da pintura, reforçada pelo rico tapete de franjas que forra a mesa.
Dentro da tradição da pintura de interiores, os detalhes são explorados no sentido técnico e como maneira de fornecer pistas sobre o modo de vida da época. A grande vela, o urinol e um braseiro, com uma vasilha para carvão, indiciam características como a iluminação, os hábitos higiênicos e a necessidade de esquentar o local.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.