21/01/2019
Grandes derrotas podem ser imensas vitórias. Essa máxima que pode parecer originária de um livro de autoajuda, ilustra bem o filme ‘Little Pink House’. Dirigido por Courtney Balaker, conta a história verídica de Susette Kelo, que moveu um processo na área de direitos civis contra a cidade de New London, nos EUA.
O impressionante é que, mesmo derrotada na Suprema Corte, a enfermeira ganhou destaque internacional por ter levantado questões que se tornaram um paradigma pela defesa dos direitos individuais perante os públicos, principalmente em questões controversas.
O eixo do filme é que um alegado benefício para a maioria pode alterar drasticamente a vida de indivíduos. Esse questionamento levou Kelo a ser involuntariamente líder de um grupo de humildes moradores de simples casas (daí o título do filme) localizadas em uma área que o governo local cedeu para erguer uma fábrica.
O argumento governamental é que a empresa traria riqueza para o município. A polêmica decisão da Suprema Corte por 5-4 foi uma derrota, mas despertou um sentimento de revolta nos mais variados espectros políticos e resultou em reformas em diversas localidades americanas de proteção a cidadãos em situações semelhantes.
O mais curioso é que a fábrica fechou rapidamente e o progresso esperado não chegou até hoje. O drama pessoal e público da enfermeira, nesse contexto, comove sem pieguice e, com grande atualidade, motiva infinitas reflexões sobre esses elos entre o que cada um deseja para si mesmo e o que pode/deve ser sacrificado pela coletividade.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.