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A beleza do cotidiano

A beleza do cotidiano
12/01/2019

A obra do pintor alemão Peter Dreher (1932) foi um dos principais destaques da 33ª Bienal de Arte de São Paulo. A série ali exposta (Tag um Tag guter Tag/(Day by Day good Day) é parte de um projeto que começou em 1974 e prossegue. Ao todo, são mais de 5 mil pinturas em pequeno formato de um copo d’água.

A beleza desse projeto não está apenas em sua realização, mas no conceito que ele carrega. O ato de se debruçar plasticamente sobre o mesmo objeto demanda uma concentração imensa a cada detalhe. De noite ou de dia, as telas são interpretações em que luzes e sobras apresentam um papel especial.

O tamanho do objeto é natural; o modelo, real; e o lugar, sempre o mesmo. Assim como o pintor Morandi fazia com garrafas, Dreher torna o copo uma metáfora da existência. As alterações motivadas pela alteração da luz e dos reflexos ao longo do dia e da noite apontam para uma reflexão imensa sobre o ato de representar o real.

Nessa perspectiva, os copos parecem mágicos. Cada um isoladamente pode ser considerado como uma concepção realista do mundo, mas o conjunto aponta justamente para um pensamento acurado daquilo que nos cerca. Saber ver e pensar no que está ao nosso redor demanda uma imensa sabedoria. Poderemos todo atingi-la?

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.