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diárias de bordo

No precipício da vida

No precipício da vida
06/01/2019

Mannequin Death, vídeo que mostra manequins elegantemente vestidos sendo empurrados para um precipício onde seus destroços começam a se acumular num grande cemitério de pedaços de partes, foi um dos pontos altos da 33ª Bienal de Arte de São Paulo. Existem na obra numerosas visões críticas do mundo.

Inicialmente, os artistas Richard Hoeck e John Miller fazem pensar sobre a efemeridade da existência, já que tudo pode acabar a qualquer momento. Basta um passo em falso e aquilo em que acreditamos e pelo qual vivemos se desmancha em segundos. Muito pode ser perdido por um risco mal calculado, uma ação insensata ou pelo imponderável.

A vaidade humana também é colocada em xeque, pois os manequins estão muito bem vestidos. Toda a sua beleza e sedução, que encanta ao primeiro ao olhar, é desmanchada com o choque com as pedras e o mergulho no vazio. É a destruição do efêmero que nos impacta ao ver cada novo manequim se desintegrando numa jornada sem volta.

Não há possibilidade de salvação. Tudo é destruído durante a queda e no impacto com as pedras. A desintegração gera, porém, novos aspectos. Torna-se um conjunto de fragmentos, de cacos da vida que se acumulam, de pedaços que se perderam de um todo e nos alertam como a nossa vida, na qual tanto valorizamos futilidades, é passageira.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.