
As obras da artista plástica brasileira Denise Milan têm como um de seus eixos principais o entendimento das pedras da natureza como elementos inexplicavelmente próximos da alma humana. Pela maneira como dispõe esses elementos nos espaços expositivos propõe mergulhos naquilo que entendemos como essencial para as nossas vidas.
Na 33ª Bienal de Arte de São Paulo, seu trabalho traz uma diagramação do espaço em que as pedras funcionam como pessoas espalhadas que dialogam com os visitantes da megaexposição. Além disso, existe uma conversa delas com a arquitetura urbana. Surgem, assim, edifícios, fontes e rios que penetram pelos olhos e invadem os outros sentidos.
Ao longo do dia, diferentes cores surgem pelas variações das tonalidades de luz do espaço. Desse modo, pessoas e construções ganham nova vida. As formas de ver as pedras se alteram e, assim, as obras ganham novas dimensões. O conjunto se apresenta, portanto, de novas maneiras, sempre a trazer elementos distintos.
Os agrupamentos, assim como os seres humanos e os universos urbanos, são mutáveis, embora pareçam estáticos. Essa percepção de Denise Milan sobre as pedras traz elementos que contribuem para uma permanente reflexão sobre aquilo que desejamos ser, o que parecemos ser para nós mesmos, o que aparentamos ser para os outros, e o que somos de fato. Esse conjunto de relações se torna um desfio permanente de conhecimento do mundo!
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.