
Os relevos, esculturas e pinturas do artista plástico Marcos Garrot apresentam um intenso ludismo que cativa o observador. Suas numerosas variações em ferro pintado e tela, às vezes, com interferências de outros materiais, permitem o desenvolvimento de numerosas variações a partir de figuras geométricas, como retângulos e triângulos.
O resultado surge em tons que percorrem do negro ao branco, passando por tonalidades mais ocres, como marrons e dourados, além da recente incorporação de nuances de verde e laranja, sempre com a importante participação da luminosidade como recurso que transforma cada obra.
A capacidade do artista de surpreender o leva a transformar o que poderia ser um rígido construtivismo num jogo de cores e luzes pleno de vida. Sucessivos processos criativos dão às formas ampla relevância, já que o desdobramento das figuras geométricas gera numerosas possibilidades estéticas.
O artista plástico Marcos Garrot estrutura assim sua lúdica capacidade de construir formas, num processo que dá uma certeza: o grande mistério da arte é justamente encontrar o ponto em que seja possível tocar o âmago das pessoas sem se render a uma beleza sem conteúdo.
Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura.