
A artista argentina Claudia Fontes apresenta, na 33ª Bienal de Artes de São Paulo, um trabalho que nos obriga a repensar as relações de comunicabilidade do mundo. Ao colocar pequenas peças de cerâmica ligadas a vocábulos sem uma ordem explícita a seguir estabelece uma metáfora das dificuldades de diálogo do mundo contemporâneo.
A principal questão que se coloca é a maneira como cada um remonta esse quebra-cabeças de caquinhos. Trata-se de um exercício complexo e permanente. Não basta olhar atentamente. Existe um processo mental acurado em que nossa mente busca estabelecer a melhor maneira de se conectar com o mundo.
O impacto de ver os fragmentos separados logo motiva a realizar o esforço de estabelecer uma ordem. Essa escolha traz em si mesma um fator fundamental: por que não deixar tudo como está? Por que não assumir que a comunicabilidade entre as pessoas possa estar justamente nessa atmosfera caótica?
A tendência de buscar ordem, harmonia e a criação de um discurso inteligível talvez não seja tão saudável e necessária como se imagina num primeiro momento. Assumir o caos pode ser a melhor alternativa para que o cosmos interno de cada um, com suas idiossincrasias, se estabeleça. Saber lidar com estruturas fragmentadas pode ser o passo inicial para encontrar a harmonia, distinta e inimaginável e mais ou menos estruturada conforme o caso.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.