
Uma obra de arte se realiza completamente quando é estabelecida uma comunicação ampla entre três instâncias: seu autor, a poética proposta e a percepção do público. A série mais recente de trabalhos de Mauricio Chaer atinge essa dimensão principalmente por lidar com a natureza como ponto de partida.
Há inicialmente a humildade de recolher galhos de pequenas e médias dimensões de um cedro de seu ateliê e de outros locais em Mogi das Cruzes, SP. Imersos em parafina, esses pedacinhos da natureza passam a participar de estruturas delicadas e leves, com as conexões amarradas por coloridos fios de lã.
Dessa maneira, surgem universos que podem ficar pendurados pelo teto ou esculturas de parede que tanto podem ficar na horizontal como na vertical. O essencial é que o artista se concede a liberdade de experimentar sempre, iniciando um jogo e pesquisa de infinitas possibilidades estéticas e visuais.
Chaer prossegue assim a sua jornada pela arte contemporânea, com uma poética diferenciada, marcada pelo belo e pelo sutil, convidando o público a participar de uma jornada em que não há respostas fáceis, mas sim a abertura de sempre encontrar novos caminhos para as permanentes perguntas da existência.
Entre nós e o artista existe um permanente processo criativo em que o fazer é sempre o mais importante. O resultado traz um fazer e um pensar elaborados com a convicção de que toda a energia é investida num criar esmerado, em que o próximo trabalho sempre supera o mais recente pela consciência plástica em permanente movimento.
Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.