
A escultura é uma arte essencialmente tridimensional. É feita para ser visualizada sempre em 360 graus. Não interessa qual é a figura, a geometria ou a representação realizada. Ela conquista o espaço justamente pela sua capacidade de ser vista de diversas formas. Assim, nos apresenta uma visão de mundo que se complementa com aquilo que interpretamos.
A obra da artista argentina Damiana Suriani percorre esse caminho. Ao mostrar parte de um corpo, nos traz um fragmento, que ganha sentido pela maneira como é trabalhado. A interpretação que surge se dá por aspectos próprios dessa linguagem visual, como a maneira de lidar com os cheios e os vazios.
Decorre daí um universo de possibilidades com a luz, pois os brilhos e angulações colaboram para que a peça ganhe novas conotações, que vão da sensualidade à sexualidade. Cada reentrância cumpre esse papel de apresentar um todo marcado pela maneira de lidar com os materiais.
A criação escultórica, como mostra Damiana Suriani, é justamente um universo em que as interpretações se multiplicam não apenas por se tratar de obras em que o espaço é essencial, mas principalmente porque aquilo que se vê se conecta profundamente com aquilo que se sente. Desse modo, a imagem em três dimensões se multiplica rumo a inimagináveis percepções.
Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.