
A obra visual de Juan Ojea constitui uma excelente oportunidade de reflexão sobre o mundo contemporâneo. Os elementos que coloca em sua instalação são primordiais para pensar melhor o mundo que nos cerca em suas múltiplas interpretações, desde as que envolvem à natureza àquelas voltadas para aspectos sociais.
A questão ambiental se faz presente com bromélias e palmito. São manifestações evidentes da força e do vigor de todo um ambiente nacional que deseja se expandir e que tem suas raízes cortadas em diversos momentos pelo lucro desmedido ou mesmo pela ignorância de parte de nós sobre as melhores maneiras de preservação.
A presença de sacos de trigo alude à produção agrária e ao agronegócio. E surge aí um paradoxo, pois, se é necessário gerar alimentos para abastecer a população nacional e para exportar e gerar divisas, também é preciso tomar extremo cuidado para que a busca ávida pelo lucro não prejudique outras pessoas e mesmo a qualidade do próprio produto.
E ainda há outros elementos na instalação, como tijolos chamados de ‘baianos’, que aludem aos loteamentos clandestinos, e pedras e água, que apontam para a escassez de um dos elementos mais essenciais para a nossa sobrevivência. Tudo isso num triângulo equilátero, simbolizando justamente o necessário equilíbrio entre todas essas forças. Veja o projeto e pense!
Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura