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Inquietos perfis

Inquietos perfis
13/10/2018

Rostos são portas para o conhecimento. Seja no aspecto físico ou no emocional, apresentam caraterísticas que denunciam temperamentos e comportamentos. Com o tempo, as marcas de expressão acentuam cicatrizes simbólicas de entendimento do mundo. Cada traço surge como portal para mergulhar na riqueza existencial de cada um.

A obra plástica de Gabriel Reis traz para essa discussão a destruição e a deformação dos rostos como forma de questionar as possibilidades de conhecimento do mundo cristalizadas. Quando uma cara é desfigurada dentro daquilo que dela se espera tradicionalmente, são abertas camadas de leituras.

Tecnicamente o processo que o artista instaura é de proporcionar ao observador viagens simbólicas por sendas e fendas menos óbvias e pouco conhecidas. Transformar aquilo que parece óbvio indaga e pode até chocar, mas maravilha por mostrar que os méritos da arte estão na capacidade de surpreender e de fornecer novos olhares.

Gabriel Reis estabelece uma linguagem visual pessoal na forma como se relaciona com essas questões. Interpreta o visível e busca o invisível de cada ser, perscrutando percepções e sensações que geram muitas novas perguntas. Foge assim da mesmice e dá a cada novo trabalho o frescor de uma vereda a ser explorada.

Oscar D’Ambrosio, mestre em Artes Visuais, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura.