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Costurar e bordar

Costurar e bordar
29/09/2018

Quando se pensa em atividades como bordado ou costura, logo vem à mente o artesanato, mas essas ações podem estar associadas a trabalhos de arte muito bem elaborados e repletos de conotações e caminhos para reflexão sobre a arte contemporânea, multifacetada na sua essência.

O artista visual argentino Julio Basle é um desses criadores que entende o trabalho com os mais diversos tipos de material como uma maneira de construir um percurso pleno de possibilidades para quem observa as suas pesquisas visuais. Essa trajetória tem como base o pensamento de que bordar e costurar são metáforas da vida rica em interpretações.

Basle mostra um animal, o tatu, e fluxos de percursos e de imagens que alegorizam o próprio andar da natureza, imersa em manifestações das mais variadas. Os atos de costurar e bordar, nesse sentido, podem ser entendidos como alegorias da existência e do viver como lutas perenes entre o que queremos e o que conseguimos fazer.

O impacto visual está conectado justamente com essa percepção de que o mundo conhecido brota de um certo ludismo. O painel vivencial que conseguimos fazer é resultado de duas forças complementares: a relação que temos com o mundo e o diálogo que se estabelece com as próprias capacidades e limitações de cada um. Desse movimento, brota a arte.

Oscar D’Ambrosio é mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura.