
Desenhar é interpretar o mundo; planejar prédios é construir universos próprios. Oscar Niemeyer é a prova disso. Seus desenhos são muito mais do que criações de um arquiteto. Tem uma leveza tamanha, que funcionam como um sopro de vida, um respiro de existência em busca da concretude.
As curvas que o artista propõe são de tamanha intensidade e jovialidade que convidam a um jogo visual interminável. Nesses momentos, o arquiteto cede lugar ao desenhista, entendendo-se este como um criador de desígnios, de destinos, de possibilidades a serem materializadas pelos parceiros de jornada, como calculistas e engenheiros.
A mente criativa de quem desenha está imersa no reino das possibilidades. Cada traço é um sonho à espera de realização, uma forma que pode ou não se materializar de diversas maneiras. O importante é que o desenho permite a mente de quem faz e de quem vê compartilhar essa viagem.
É pelo sonho que o desenho expressa que a arquitetura de Niemeyer se democratiza. É no momento que o desenho bate em nossos olhos que as ideias do criador se tornam criaturas plenas de potencialidade. E quem vê o que está no papel imagina até que ponto aquela leveza ali expressa pode ser experimentada na realidade. Quanto mistério!
Oscar D'Ambrosio é mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br