
A arte se manifesta de muitas maneiras. A principal delas está na capacidade de lidar com diversas forças que contribuem para o processo criativo. São interpretações da realidade que convivem no sentido de estabelecer relações entre aquilo que o artista enxerga no mundo e o que o criador pensa de si mesmo.
Alejandro Bossio, em seu rico universo imagético, oferece a possibilidade de ler o mundo. Sua multiplicidade de imagens, que evoca o holandês Hieronymus Bosch em termos de composição, provém de um processo criativo mesclado por muitos fatores, que se cristalizam em obras que demandam visão pausada e detalhada.
A partir da intuição, entendida como ponto de partida de um assunto, Bossio estabelece figuras centrais em torno das quais começa o seu processo de desenho. As conexões entre os pontos de partida são progressivamente estabelecidas de maneira a criar um todo em que os conceitos de princípio, meio e fim se perdem em benefício do conjunto.
O que permanece é a inquietação. O artista uruguaio radicado em São Paulo proporciona assim um universo de interrogações sobre o ato de pensar, de fazer e de conceber o mundo e a arte. O seu convite para uma observação detalhada de cada imagem é uma proposta de pausa silenciosa num mundo barulhento e caótico.
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br