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diárias de bordo

Um lugar silencioso

Somos todos animais
Um lugar silencioso
20/07/2018

Num momento da humanidade em que todos querem falar e poucos desejam ouvir, um filme como ‘Um lugar silencioso’, de John Krasinski, é muito oportuno. A narrativa mostra um planeta destruído, em que monstros de audição altamente desenvolvida captam a presença humana e a vão progressivamente destruindo.

A única alternativa para sobreviver é se comunicar com sinais e procurar falar somente em momentos de extrema necessidade. O foco da obra é uma família que mora próxima a um milharal. E aí reside um dos méritos da produção, pois as relações entre esses personagens são fascinantes.

A família perdeu uma criança porque a irmã mais velha, desobedecendo o aviso dos país, entregou uma nave de brinquedo que fazia barulho ao irmão caçula. O remorso dela e o sofrimento do pai com a situação pontuam uma narrativa em que o elemento psicológico é colocado à prova para lidar com as dificuldades.

O sacrifício do pai em nome da família e as atitudes da mãe grávida em defesa do futuro bebê ilustram os profundos elos entre pessoas queridas no sentido de superar todo tipo de limitações. Por esses aspectos, a obra traz elementos que superam o terror e fazem pensar sobre as emoções primordiais que nos tornam humanos, embora não deixemos de ser animais.

Oscar D'Ambrosio é mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br