textos

diárias de bordo

Desobediência

O livre arbítrio
Desobediência
19/07/2018

Na primeira cena do filme ‘Desobediência’, dirigido por Sebastián Lelio, um rabino, logo antes de falecer em meio ao seu discurso perante a sua comunidade, explica a diferença entre os anjos (que obedecem a vontade de Deus), os animais (que agem pelos instintos da natureza), e o seres humanos (únicos a terem livre arbítrio).

Esse é o tom de uma obra cinematográfica que envolve o lesbianismo numa comunidade judaica inglesa. O rabino falecido é pai de Ronit, que, anos antes, flagrara a filha beijando a amiga Enit, gerando uma crise familiar. A primeira vai para os EUA, onde desenvolve uma bem-sucedida carreira de fotógrafa, e a segunda se casa com um promissor rabino dentro dos padrões esperados naquele contexto social e religioso.

O retorno de Ronit à comunidade para o funeral do pai reacende a paixão entre as moças e os conflitos ressurgem, inclusive porque o marido de Enit é escolhido para ser o novo líder espiritual do grupo. Desse modo, diversos dramas individuais vão se entrecruzando em situações em que a insatisfação e a infelicidade predominam no campo religioso e espiritual.

O grande ensinamento do filme está em mostrar como o livre arbítrio e a liberdade mencionada pelo falecido rabino podem predominar como respostas a uma situação de crise. Cada personagem faz uma escolha, e a obra indica os bônus e ônus do que foi decidido para as trajetórias existenciais próprias e daqueles que os cercam. Para refletir muito!

Oscar D'Ambrosio é mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br