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A melhor escolha

Desafio da existência
A melhor escolha
18/07/2018

Dizem que a morte aproxima as pessoas que permanecem vivas. A perda geraria uma espécie de união entre os que ficam nesta jornada existencial. O filme ‘A melhor escolha’, de Richard Linklater, mostra isso de uma maneira contundente. O protagonista, após já ter perdido a esposa com um câncer de mama, recebe a notícia do falecimento do filho, fuzileiro naval, no Iraque.   

Para enterrar o corpo, pede a companhia de dois ex-fuzileiros com quem tinha servido no Vietnã. As personalidades absolutamente distintas dos três ex-combatentes em sua caminhada dão um especial interesse à produção. Sem a esposa e o filho, o protagonista espelha emoções contidas, mas reanima-se com algumas lembranças do passado.

Os ex-colegas tem visões opostas. Um tornou-se reverendo e, após um passado de bebida, droga e sexo, crê ter recebido o chamado de Deus, cuidando de sua comunidade com a esposa. O outro, descrente de tudo, bebe sem parar, questiona tudo e todos, mas revela uma tocante sensibilidade na cena final.

Curiosamente, o protagonista escolheu dois fuzileiros que o traíram e o levaram para a cadeia no passado, afastando-o da corporação. Por quê? Não há acerto de contas, mas um reencontro marcado por um exemplar ritmo dos diálogos e pela humanidade de personagens comuns que buscam viver a sua existência da melhor maneira possível, o que já é um grande desafio.

Oscar D'Ambrosio é mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em ww.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br