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diárias de bordo

Mesmo Sangue

Um ser entre mundos
Mesmo Sangue
07/07/2018

Muitas vezes temos a impressão que a delicadeza abandonou o mundo. Mas as esperanças renascem perante um filme como ‘Mesmo Sangue’. Coprodução de Suécia, Noruega e Dinamarca, dirigida por Amanda Kernell, conta a história de uma menina nascida em uma comunidade de lapões.

Por enfrentar inúmeros preconceitos do resto da sociedade sueca, decide fugir de sua comunidade. Troca de nome, de vestimenta, de identidade, enfim. E decide estudar numa escola comum, não voltada os integrantes de sua comunidade. Essa busca, com atos simbólicos, como queimar as roupas típicas ou mergulhar nos labirintos de uma biblioteca, a afasta das origens e, ao mesmo tempo, não garante a sua aceitação pela comunidade sueca.

Viver nesse universo intermediário traz conflitos interiores, que se cristalizam no momento em que retorna às origens com a morte da mãe. Fazer uma vida longe das raízes, portanto, não a afasta delas. Deixar de lado quem era para ser uma outra coisa demanda coragem, mas resulta num sentimento de estar sempre no meio de caminho.

Não se é uma pessoa inteira, mas um entre mundos. E é claro que esse processo traz ganhos e perdas, ônus e bônus. Na volta ao universo que deixou, encontra os lapões usando motocicletas e verifica que seu povo também não é mais o que era. E, para piorar, a Suécia na qual ela se integrara continuava vendo seu povo como algo exótico e antropológico. Um filme para se emocionar e pensar...

Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br