
Onde está a matriz da criatividade? Muito já se escreveu sobre isso. O fato é que parece haver uma ligação entre o potencial de surpreender e a capacidade de manter a mentalidade infantil, no sentido de estar sempre disposto a conhecer o novo e de enfrentar as situações como se fossem a primeira vez, mesmo que sejam conhecidas.
O prazer de brincar e de criar se relacionam de maneira muito significativa. Uma questão que atrapalha a capacidade de ter novas ideias é se tornar adulto, no sentido de levar o mundo e a si mesmo muito a sério. Também há indicações de que o universo das pessoas mais velhas vai progressivamente consumindo a coragem e o prazer de arriscar.
Três instâncias sociais parecem, de modo geral, ser inibidoras da criatividade. A primeira pode ser a família, que, por exemplo, não deixa a criança ter a opção de desenhar na parede de seu quarto mesmo que seja num local determinado. A segunda tende a ser a escola, onde quem faz o que está fora do script tende a ser marginalizado.
A terceira é o trabalho, onde fugir do que se espera geralmente é mortal, já que o discurso de pensar fora da caixa geralmente é mais forte do que a sua efetiva e eficiente prática. É claro que há famílias, instituições educacionais e locais de trabalho que estimulam a criatividade. Mas são minorias que podem ser contadas. Pense nisso.
Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br