
Qual é o maior fascínio que encontramos na obra do cineasta italiano Federico Fellini? O que é que há nele que encanta gerações? Certamente seu gosto pelo bizarro da alma humana e o uso de pessoas incomuns em situações comuns traz aos seus filmes uma poesia muito peculiar.
No filme ‘Em busca de Fellini’, uma moça de 20 anos, criada em meio a filmes românticos, leva um choque ao ter contato com a dura realidade ao saber que a mãe está mortalmente doente. Ao ir para a cidade em busca de emprego, descobre as obras do cineasta italiano. Descortina-se assim um mundo de possibilidades desordenadas.
Um universo ilimitado de janelas existenciais e visuais se abre e leva a jovem a desejar ir para a Itália e conhecer o cineasta. A jornada é de amadurecimento e de descoberta de um novo mundo, que inclui o amor, o sexo, a violência e o medo. As emoções se misturam entre a utopia dos filmes que via e a dura realidade.
Dirigido por Taron Lexton, o filme nos introduz numa jornada de sonhos, de ganhos e de perdas. A protagonista amadurece e perde a inocência, mas permanece na fronteira entre aquilo que Fellini representa, em termos de questionamento do mundo que consideramos real, e aquilo que ele de fato o cotidiano é ou pode ser. Nesses caminhos e descaminhos, a ficção e a chamada verdade se mesclam paulatina e misteriosamente
Oscar D'Ambrosio é mestre em Artes Visuais e doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Leia este e mais textos em www.oscardambrosio.com.br.Contato: odambros@uol.com.br