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Habi, a estrangeira

Existência em equilíbrio
Habi, a estrangeira
19/06/2018

Lionel Messi perdeu pênalti? A Argentina empatou com a estreante Islândia em Copa do Mundo? Não perca a oportunidade de conhecer mais um belo filme argentino...

Dentro da tradição islâmica, existe a concepção de que a nossa passagem pelo mundo deve ser sem excessos, marcada pelo equilíbrio. Pode ser este o grande ensinamento do filme ‘Habi, a estrangeira’, dirigido por María Florencia Álvarez, sobre a jornada de uma jovem de 20 anos pelo mundo muçulmano de Buenos Aires.

A protagonista interiorana está na capital para entregar artesanatos feitos pela família e, ao conhecer uma comunidade libanesa, se entrega a esse novo mundo, que a recebe fraternalmente. É travado assim um processo de transformação que inclui a roupa, a religião, os hábitos, o idioma e o amor.

A discussão das diferenças e semelhanças entre as culturas inclui até uma imigrante brasileira, que vive isolada na mesma pensão em que Habi se hospeda. Outro grande tema é a solidão, relacionada pela diretora no roteiro com a necessidade de aceitação dos jovens e a busca por novas perspectivas.

Os assuntos são de grande atualidade e apontam para uma jornada de diálogos interculturais necessários, mas nada simples. A máxima muçulmana de que se deve passar pela existência com sabedoria e parcimônia equilíbrio é mais fácil de enunciar do que de praticar. Dominar as paixões, como mostra o filme, é um exercício de alta demanda e complexa realização.

Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br