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diárias de bordo

Até nos vermos lá em cima

O melhor e o pior do ser humano
Até nos vermos lá em cima
16/06/2018

Hoje, 16/6, é dia de estreia da França na Copa do Mundo do Futebol. E o cinema desse país sempre surpreende. Com visual bem acima da média, ‘Até nos vermos lá em cima’, de Albert Dupontel, conquista por vários outros aspectos. Talvez o principal seja a maneira como lida com os relacionamentos humanos.

Os elos entre os personagens são tratados de modo a mostrar como somos marcados por limitações de muitas ordens. Inspirado no romance homônimo de Pierre Lemaitre, vencedor, em 2013, do Prémio Goncourt, o mais prestigiado da literatura francesa, o enredo começa em 1918, pouco antes do fim da I Guerra Mundial.

Um soldado salva a vida de outro nas trincheiras, iniciando uma amizade repleta de altos e baixos. Um dos rapazes desenha com raro talento e sofre um ferimento no maxilar que prejudica sua fala e aparência para sempre. O outro, escriturário, revela talento para os negócios.

A associação entre os dois ocorre para sobreviver numa sociedade conturbada. O rosto deformado é coberto com máscaras que ele mesmo cria, sendo ainda ele responsável por projetos de esculturas para os mortos na guerra. Diversas artes se ligam nesse processo, desde o desenho expressivo de situações bélicas à modelagem de obras-primas para cobrir o rosto deformado.

Diversos símbolos são relacionando em imagens que vão desde o campo de batalha até o encontro entre o pai do artista, e seu filho, que considerava morto nas trincheiras. As reviravoltas do roteiro apontam para a ilimitada capacidade humana de criar e da arte de revelar os melhores e piores aspectos de cada um de nós.

Oscar D'Ambrosio, mestre em Artes Visuais, doutor em Educação, Arte e História da Cultura. Este e outros textos estão disponíveis em www.oscardambrosio.com.br. Contato: odambros@uol.com.br